Festival no Jardim Botânico de SP é alvo de críticas e ação no Ministério Público

Privatizado desde 2021, o Jardim Botânico de São Paulo vem sendo alvo de críticas por conta de uma ação nunca vista antes em suas dependências: um festival de música eletrônica, previsto para acontecer daqui um mês. A decisão é vista como irresponsável, já que esta é uma unidade de conservação de proteção integral, onde habitam inúmeros animais na floresta nativa e a nascente do riacho Ipiranga, o mesmo fluindo no Parque da Independência.

O Piknic Électronik é um festival global com 15 anos de tradição, alegando proporcionar “arte, sustentabilidade e gastronomia”, mesmo que tenha topado – junto à Reserva Paulista, a administração do jardim, a descumprir as regras do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), válidas para Parques Nacionais, Estaduais e Municipais não considerados urbanos. Segundo a Resolução nº 339/2003, parques nacionais não podem sediar eventos do tipo, com som alto e muita movimentação de pessoas ao longo de 12 horas.

“O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.”

Bugio-ruivo é uma das principais espécies mantidas no local

A concessão do Jardim Botânico, do Zoo Safari e do Zoológico de São Paulo à Reserva Paulista é de 30 anos, com investimentos de R$ 70 milhões. Tanto o festival quanto a administradora alegam à imprensa que as atividades irão respeitar as regras do local, com a devida supervisão de segurança e de cecibelímetros, que medem os decibéis da área. O Piknic ocupará mais de 5 mil m² e tem estimativa de público de 3 mil pessoas.

Apesar de demonstrarem alguma preocupação ao serem questionados, os organizadores parecem desconhecer que eventos de grande porte causam poluição sonora e ambiental, independente do que seja feito em termos de monitoramento.

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) entrou com uma ação no Ministério Público de São Paulo contra o festival, alegando que: “é inaceitável que esse festival ocorra dentro de uma unidade de conservação de proteção integral, que abriga uma floresta nativa cuja fauna e flora serão diretamente afetadas por um evento deste porte”.

Já os alunos do Programa de Pós-graduação em Biodiversidade Ambiental e Meio Ambiente do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) criaram uma petição on-line para colher 7.500 assinaturas, a fim de evitar que o evento aconteça. O documento menciona que a gestão realizada no Jardim Botânico é “de caráter questionável”, mencionando que a falta de manutenção em 2022 provocou assoreamento no Lago das Ninfeias.

UPDATE: após a publicação no IpirangaFeelings, muitas pessoas e figuras políticas aderiram à petição, que chegou a 15.859 assinaturas até o momento. O Jardim Botânico e o Festival se pronunciaram sobre a repercussão do caso. Leia a nota abaixo.

No ano passado, o estacionamento gratuito utilizado antes pelo Parque CienTec, aos cuidados da USP, também foi apropriado pela concessionária, que passou a cobrar R$ 50 dos automóveis utilizando o espaço, antes de uso público.

Assine a petição clicando aqui

Nota oficial da Reserva Paulista ao IpirangaFeelings

Leia na íntegra:

São Paulo, 6 de fevereiro de 2023.

Ao site Ipiranga Feelings

O Jardim Botânico lamenta a divulgação distorcida da realidade do evento Piknic Électronic, pois, em toda sua história, o Jardim Botânico sempre recebeu, com regularidade, eventos, tais como, shows, apresentação de orquestras, corridas, eventos corporativos e casamentos, que chegam a reunir milhares de pessoas em um único dia. O Piknic Électronik não é diferente dos demais.

Informamos que hoje, segunda-feira, dia 6 de fevereiro, foi realizada uma reunião entre representantes da Reserva Paulista, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL), e do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), localizado dentro do Jardim Botânico, na qual foram esclarecidos todos os detalhes sobre o conceito e a operação do evento, sem que houvesse oposição à realização do mesmo.

O respeito à natureza e a conservação da biodiversidade são nossos pilares. Por isso, todos os eventos acontecem seguindo protocolos específicos, com rígidos padrões de controle operacional, desde o local onde será realizado, até a definição de limites de som, geração, coleta e tratamento de resíduos, controle de acesso e segurança, além da obrigatoriedade de alvarás e autorizações dos órgãos competentes, de acordo com a característica de cada evento.

Esses eventos são realizados em áreas pré-definidas, previstas no Plano Diretor, sem nenhum ônus à fauna e flora da nossa área de reserva, tornando o espaço ainda mais democrático, o que é de suma importância para a manutenção e revitalização dessa importante área verde de São Paulo. Além disso, dão aos paulistanos e turistas do Brasil e do mundo, a oportunidade de conhecer um espaço verde riquíssimo, encravado na maior metrópole do Hemisfério Sul.

Além desses, outros eventos, como exposições, congressos e workshops também são realizados com regularidade no Jardim Botânico de São Paulo. Esse calendário de atividades ocorre há anos, sem nenhum tipo de impacto à natureza aqui existente.

O Contrato de Concessão, o Plano de Manejo do PEFI e Plano Diretor do Jardim Botânico autorizam a utilização dos espaços do Jardim Botânico de São Paulo para realização de diversas atividades, com finalidade e público específicos, de natureza social, cultural, esportiva, empresarial e/ou comercial, tais como: realização de casamentos, festas de aniversário, confraternizações, apresentações de música, dança e/ou teatro, corridas, apresentações com fins lucrativos, lançamento de produtos, etc.

Considerando que o Piknic Électronik, um dos principais eventos de música do mundo, com 19 anos de existência e edições realizadas em Montreal, Barcelona, Melbourne, Austin, Miami, Santiago e Paris, é conhecido por ter seus pilares muito bem definidos além da música, sendo também um fenômeno mundial ao propor uma experiência única que une sustentabilidade, arte e gastronomia, em um mesmo ambiente leve e familiar, contando com atividades para as crianças.

Nosso time técnico de Fauna e flora acompanhará todo o planejamento e execução do evento de forma a assegurar a conservação e bem-estar. Nossa equipe de operações e eventos estão desenvolvendo um planejamento estratégico específico para que o uso da área e seus resultados sejam realizados com total segurança, respeitando-se e preservando-se o patrimônio vegetal e arquitetônico existentes no Jardim Botânico de São Paulo, além da fauna existente.

A direção da propagação do som foi delimitada de modo a preservar a saúde dos indivíduos existentes naquele meio-ambiente. E o Jardim Botânico está instalando, em três pontos diferentes, Decibelímetros para monitorar os ruídos que já se propagam no local – que é limítrofe com a Av. Miguel Estefno e próximo à região da pista do aeroporto de Congonhas – bem como a curva de propagação do som da rua até o limite da estrutura do evento (65db).

O responsável pela produção do evento informa que a escolha do local vem ao encontro do propósito de despertar no visitante o respeito e a importância da natureza, suas causas e valores. Do mesmo modo, afirma que não se trata de uma festa “rave”.

Convidamos todos a conhecer nosso Jardim Botânico, nosso trabalho de gestão, nossas políticas e programas de conservação, bem como os cuidados diários com nossas coleções e com toda forma de vida aqui celebrada, preservada e conservada.

Atenciosamente,

Time Reserva Paulista

Nota da redação: em nenhum momento foi dito pelo IpirangaFeelings que o evento em questão era uma “festa rave” e sim um festival de música eletrônica com 12 horas de duração, conforme informações oficiais. A nota menciona que houve uma divulgação distorcida da realidade, que não se aplica ao o que foi veiculado aqui. Todos os argumentos apresentados não priorizam a preocupação ambiental. Em tempo, o jardim botânico nunca sediou festivais de tal natureza ao longo de sua história pré-privatização.

Mudanças no Jardim

Desde a privatização, uma das grandes mudanças sentida pelo público foi no bolso. O valor do ingresso chegou a subir 150% em relação à gestão anterior.

Quem compra on-line paga menos: R$ 19,90 para pessoas de 15 a 59 anos, e R$ 9,95 a meia entrada. Na bilheteria, o valor sobe para R$ 24,90 por pessoa. Para fazer ensaios fotográficos utilizando os espaços do jardim paga-se uma diária de R$ 75,00 em dias úteis, e R$ 150,00 aos finais de semana.

Outra medida adotada é uma nova concessão para o restaurante, que agora se chama Flora. Atualmente está em reformas, mas coleciona reclamações nos comentários do Instagram devido ao preço alto e o atendimento.

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