Projeto do Eixo Histórico do Ipiranga traz jardins, acessibilidade e mirante para o riacho

Quem passa pelos arredores do Museu do Ipiranga e pela Av. Dom Pedro I já deve ter visto uma constante movimentação de obras urbanas. Trata-se do Eixo Histórico do Ipiranga, um projeto de revitalização que visa melhoria das condições de acesso aos monumentos e ao espaço que representam o núcleo histórico da Independência do Brasil.

Encabeçada pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) e a SP Urbanismo, a iniciativa custeada com recursos municipais prevê melhoria das condições de acesso aos monumentos e ao espaço que representam o núcleo histórico da Independência do Brasil, com reformas de calçadas e canteiros de ruas e avenidas, manejo de águas de chuva na cidade através de intervenções de infraestrutura verde, além de outras estratégias de sustentabilidade.

As ações serão realizadas em quatro pontos da região, divididas em cinco etapas:

  • A Avenida do Estado, entre as ruas Leais Paulistanos e a Rangel Pestana, prevê jardins de chuva nas calçadas e biovaletas ou plantas trepadeiras no canteiro central da via. Os espaços também terão os pisos requalificados.
  • Já a Avenida D. Pedro I terá projeto paisagístico incorporado ao atual, com novos canteiros ajardinados e novas árvores. Atualmente também estão acontecendo obras na galeria de águas pluviais, onde corre o Riacho do Ipiranga.  
  • A Avenida Teresa Cristina terá seus canteiros laterais qualificados com arbustos e as margens do Riacho do Ipiranga ganharão plantas trepadeiras instaladas em geodésicas (como um arco).
  • Por fim, o entorno do Parque da Independência contará com canteiros ajardinados, calçadas reformadas, bosque com visão para o Riacho do Ipiranga e um belvedere (mirante) na Praça do Monumento.
Projeção da Av. do Estado

“Completamos neste ano o Bicentenário da Independência do Brasil e desenvolvemos este projeto como um presente que a Cidade de São Paulo oferece a todos os brasileiros. Teremos uma paisagem muito mais agradável por todas as vias que levam ao Parque da Independência e ao Museu do Ipiranga”, explica Roberto Arantes, presidente da SPUrbanismo.

O gerente de Desenhos Urbanos da SPUrbanismo, André Graziano, enumera os objetivos propostos para o Eixo Histórico do Ipiranga: acessibilidade e segurança; melhoria da qualidade da água; requalificação paisagística e biodiversidade; servir de referência para outros projetos urbanos; criação de espaços de contemplação; educação ambiental; patrimônio cultural, avaliação e gestão de intervenções urbanas; e valorização da paisagem urbana junto aos bens tombados em esfera municipal, estadual e federal.

O projeto não tem ligação com a Operação Urbana Consorciada Bairros do Tamanduateí

Projeção da Av. D. Pedro I

Região sofre com enchentes

As chamadas “águas de março“, período de maior índice de chuvas na capital, sempre causa insegurança aos ipiranguistas. A região sofre com enchentes de todos os córregos circundantes, em especial o da Av. Teresa Cristina e da Av. do Estado, que inundam. Assim, ano após anos se totalizam diversos transtornos e prejuízos, como perda parcial/total de moradias, automóveis, comércios e até morte de pessoas e animais domésticos.

Uma das piores já cravadas na memória dos moradores aconteceu no dia 10 de março de 2019, quando um temporal registrou quase 240 milímetros de chuva, 27% a mais do que a média histórica do mês. Diversos meios de comunicação do país falaram sobre o alagamento, que causou a morte de sete pessoas e desalojou mais de mil ao redor da cidade.

Em nota enviada ao IpirangaFeelings, a Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) informa que finalizou a construção de três novos reservatórios na bacia do Córrego Ipiranga. Eles já estão em operação e, juntos, podem armazenar até 310 mil m³ de água. Também foram concluídas as obras do novo canal do Córrego Ipiranga bem como as novas galerias do Córrego Cacareco.

Em fevereiro deste ano, o Córrego Ipiranga foi entregue. Os trabalhos, com investimento de R$ 138,1 milhões, foram iniciados em agosto de 2017 e visam mitigar as enchentes ao longo da Av Dr. Ricardo Jafet e no curso do riacho, que nasce no Jardim Botânico.

Junto às ações movidas pela reabertura do Museu do Ipiranga está também a recuperação do canal do riacho, entre a Avenida Bosque da Saúde e a Rua Marcelino Champagnat, fluindo até o Rio Tamanduateí, além da regularização, melhoria no sistema viário e a requalificação paisagística.

Outra medida recente foi a criação do piscinão Lagoa Aliperti, localizado na Rua José Bento Ferreira, que entrou em operação em dezembro de 2020. Ele pode armazenar até 110 mil m³ de água, o equivalente a 44 piscinas olímpicas.

O projeto do Eixo Histórico do Ipiranga surge para complementar a rede de drenagem existente, auxiliando o manejo das águas pluviais e estimulando a caminhabilidade na região.

A SIURB está refazendo toda a galeria fluvial da Av. Dom Pedro I, com uma tubulação de 2,10 metros de diâmetro, para evitar o acúmulo de água da chuva na via. As ações justificam o trânsito mais intenso no trecho, que deverá ser finalizado em torno de 40 dias.

Projeção do mirante próximo ao Parque da Independência
Projeção do Mirante para o Riacho do Ipiranga

Ações sustentáveis

Embora oferecer medidas definitivas para problemas de drenagem severos não sejam um dos principais objetivos do projeto Eixo Histórico do Ipiranga, foram incorporadas ações sustentáveis que ajudem não apenas a paisagem a ser mais bonita. As Soluções baseadas na Natureza (SbNs) que estão sendo implantadas devem minimizar o tempo de drenagem das águas de chuva na região.

Os jardins de chuva e biovaletas, além de ampliar a capacidade de retenção das águas de chuva, promovem a fitorremediação de poluentes carreados pela drenagem superficial, o que tende a melhorar a qualidade do suprimento hídrico na região.

Projeção da Av. Teresa Cristina
Projeção da Av. Teresa Cristina

E a população em situação de rua na Av. do Estado?

Ligando o Ipiranga ao Centro de São Paulo e ao ABC Paulista, a Av. do Estado foi sendo cada vez mais ocupada por pessoas em situação de rua. Vivendo, literalmente, às margens do córrego do Tamanduateí, a população negligenciada montou barracas que, pouco a pouco nos últimos quatro anos, foram aumentando em quantidade.

Questionada pelo IpirangaFeelings, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) informa que os orientadores socioeducativos do Serviço Especializado de Assistência Social (Seas) percorrem as ruas de São Paulo todos os dias com a finalidade de realizar abordagens sociais voltadas a adultos, idosos, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

As pessoas que aceitam o encaminhamento oferecido pelos orientadores podem ser direcionadas para Centros de Acolhida de Pessoas em Situação de Rua, Núcleos de Convivência e para atendimento social nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) ou ainda para Centros de Referência Especializados à População em Situação de Rua (Centro POP).

Conforme o último Censo sobre a população em situação de rua na capital, concluído em janeiro de 2022, houve um crescimento de 31% nos últimos dois anos, chegando a 31.884 pessoas nessas condições.

Projeto Vila Reencontro oferece casas modulares como moradias transitórias por um período entre 12 e 18 meses.

Qualquer cidadão também podem ajudar solicitando a visita dos assistentes sociais pela Central 156. O acionamento da abordagem pode ser anônimo, mas é fundamental informar o endereço da via em que a pessoa em situação de rua se encontra.

Dentro do Programa de Metas da Cidade de São Paulo está ainda o Programa Reencontro, que visa a implementação de 330 unidades habitacionais transitórias até o final do ano, contemplando 1.674 pessoas em situação de rua.

Atualmente, está em construção a regulamentação do Auxílio Reencontro, a implementação da primeira Vila Reencontro e a efetivação do Programa Bolsa Trabalho voltado para população de rua.

Projeção da Av. do Estado
Projeção da Av. do Estado

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