Ipiranga terá fazenda pedagógica para passeios em família

Bem antes da Independência do Brasil, o bairro Ipiranga era uma grande área rural e demorou a ser urbanizada. Agora, mais do que nunca, irá resgatar parte das origens com a instalação de uma fazenda pedagógica, que receberá escolas e passeios em família. A Fazendinha Estação Natureza irá migrar do Brooklin para a região próxima ao Aquário de São Paulo, o que facilita um “tour” pelos dois estabelecimentos.

Depois de ocupar, ao longo de 20 anos, um terreno de 10 mil m² na Av. Washington Luiz, o complexo foi transferido para uma área verde que pertence ao Instituto Cristóvão Colombo, pegando desde a rua Mário Vicente até a rua da Imprensa. A locação do espaço irá ajudar na manutenção dos contínuos trabalhos de uma das mais antigas instituições dedicadas à crianças e adolescentes migrantes no Estado, presente no Ipiranga desde 1895.

A família responsável pelo empreendimento tem história no Ipiranga: são nascidos e criados aqui, voltando agora ao bairro de origem. A idealizadora e proprietária Denise Amaral Cury explica ao IpirangaFeelings que o propósito da fazendinha sempre foi educacional. “Sou formada em psicologia, mas voltada à pedagogia, então nosso foco principal desde a fundação são as crianças, aproximá-las do convívio com os animais, da permacultura, da sustentabilidade.”

Foto: IpirangaFeelings

A fazendinha no Ipiranga proporcionará interação com animais tipicamente rurais, como ovelhas, cabras, coelhos, porcos, vaca, bezerro, cavalos e pôneis. Os passeios serão direcionados tanto para famílias quanto para escolas, neste caso, com uma programação especial durante os dias da semana.

Além de ações educativas, também serão oferecidas aulas de equitação e equoterapia. Para os pequenos, de 2 a 6 anos de idade, é oferecida a equitação lúdica, com propósito igualmente pedagógico, mas a bordo de pôneis. A atividade auxilia funções psicomotoras, postura, equilíbrio, consciência corporal e ambiental.

A Estação Natureza foi criada em 1995 sendo o 1° Projeto Pedagógico criado em São Paulo. Segundo os idealizadores, a fazendinha ecológica preza pelo menor impacto ambiental e utiliza recursos menos agressivos ao meio ambiente. Um dos exemplos é o uso da tinta de terra, técnica sustentável para obter as cores avermelhada e ocre das paredes, da qual as crianças também irão conhecer de perto.

Foto: divulgação

Uma pequena horta orgânica também foi montada para mostrar a origem e o crescimento dos alimentos. Enquanto a cozinha tem sua própria produção, o que é excedente poderá alimentar os animais ou ir para o sistema de compostagem. Já a água da chuva é reaproveitada pelo sistema de Cisternas.

Uma das preocupações principais da Estação Natureza é relacionada ao reuso e ressignificação de materiais ao invés de jogar fora. Isso se faz presente não apenas na bioconstrução, mas nos conceitos de permacultura implementados e dando novos usos ao o que existia antes no terreno. Antigas luminárias se tornarão vasos, enquanto paletes foram matéria-prima para as cercas.

Futuramente, o intuito é incentivar a aproximação da própria comunidade do entorno, seja em oficinas, eventos ou vivências que tenham o viés ecológico.

A proposta de manter animais em espaços que simulam o habitat natural é um tanto polêmica, mas por ora permitida nos trâmites legais, desde que não sejam identificados abusos ou maus tratos; as instalações sejam adequadas às espécies; e que profissionais qualificados sejam responsáveis pelos cuidados.

Questionada sobre o assunto, Denise, adepta do vegetarianismo, afirma que nunca enxergou a iniciativa como exploratória, visto que não há viés de produção ou apresentações voltadas ao entretenimento. “O propósito sempre foi, e não vai deixar de ser, a aproximação com aquilo que muitos sequer conhecem. É a partir desse contato que se cria uma outra relação com os animais, de respeito, de carinho. Aqui incentivamos o cuidar”, relata. “A criança desenvolve o afeto pelas espécies e a partir de então tem base para tomar outras decisões futuras.

Segundo ela, os animais não ficam reproduzindo ou gerando alimento, a não ser para quando chega um filhote da própria espécie, como é o caso da vaca, que tem 4 anos e vive na fazendinha com seu bezerro. “Temos um sítio de apoio que nos auxilia quando precisamos. Então quando o animal precisa de algum tratamento ou cuidado especial, como foi o caso da gravidez dela, fazemos a transferência até que estejam aptos a voltar. Mas os animais envelhecem junto com a gente, não há um descarte. Estamos aqui por um propósito”, argumenta.

“Os animais de fazenda são todos domesticados, eles podem estar nesse convívio e tendo esse contato. E só se desenvolve amor através do que a gente conhece e sente. O projeto quer mudar essa relação de distanciamento, mostrar que eles têm vida e fazem parte do mesmo planeta que o nosso”

Denise Cury, psicóloga e idealizadora do projeto

Numa nova fase, diante de debates contemporâneos, Denise conta que está sempre revendo as práticas e optou por não oferecer mais a charrete para o público infantil. “Mesmo que fosse só para os pequenos darem uma voltinha, deixou de fazer sentido para mim. É melhor terem o contato real, o toque, o abraço, do que usar um recurso de tração e dominação”. Agora a charrete é item decorativo e educativo, sendo abordada por monitores como ponto de debate e reflexão.

Não houve necessidade de fazer nenhum remanejamento de árvores, mas sim de plantar novas espécies onde antes funcionava uma garagem de ônibus. O espaço ainda irá se transformar com o tempo, especialmente por conta da vegetação, que irá brotar para expandir. “De certa forma, é um processo para mim também, esse recomeçar, o semear para ver crescer“, finaliza Denise.

A abertura oficial é no dia 25 de setembro de 2021. O local já está com pré-venda de ingressos, custando R$ 56,00 por pessoa, com validade até dezembro deste ano. São considerados pagantes pessoas de 2 anos até 65 anos. Crianças menores de 2 anos, ou seja, de 1 e 11 meses e adultos acima de 65 anos entram gratuitamente.

A visitação familiar acontecerá com agendamento aos sábados, domingos e feriados das 10:00 às 17:00 horas. Telefones: (11) 5034-2728 / 5034-0937 ou WhatsApp (clique no link para abrir o atendimento). Entrada pela R. Moreira e Costa, 16.

Foto: Lika Kotzent/gentilmente cedida ao IpirangaFeelings

0 Comments

  1. WALKIRIA P. de CASTILHO

    Adorei saber q nosso bairro continuará proporcionando lazer e cultura, além de outras opções de atrações q justificam sua origem histórica. Parabéns!!!

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