Dread em calvos? Projeto de resgate de autoestima faz ação no bairro da Saúde

Lidar com a calvície nem sempre é uma tarefa fácil. Pensando na alta incidência do distúrbio que impacta diretamente na autoestima, o studio Africarioca Conceito desembarca no bairro da Saúde para fazer a técnica de dread em calvos. A ação que viaja ao redor do país pretende atender cerca de 150 pessoas.

Segundo o Instituto Omens, cerca de dois bilhões de pessoas enfrentam a calvície no mundo. Somente no Brasil, são 40 milhões de calvos. A população branca é a mais acometida, seguida por asiáticos e, por último, pretos e pardos. A Sociedade Brasileira do Cabelo (SBC) aponta que 80% dos homens após os 80 anos sofrem de calvície e 30% das mulheres com mais de 50 anos também podem apresentar alguma experiência com a queda dos fios de forma acentuada. Entre os mais jovens, a queda dos cabelos com algum grau de calvície se concentra em 25% dos homens entre 20 e 25 anos.

Criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro por Lucas Preto, o procedimento que faz uso de dreadlocs foi batizado de “Baldlocs”, viajando ao redor do país com projeto “Africarioca na Estrada”. A segunda ação realizada em São Paulo, em parceria com o Estúdio Dreads SP, acontece entre os dias 24 e 30 de julho na Av. Miguel Estefno, 533. Durante o segundo semestre as capitais Belo Horizonte, Salvador, Distrito Federal e Porto Alegre também receberão a iniciativa.

Sem utilizar substâncias danosas ao couro cabeludo, a técnica de agulha depende de alguns critérios de avaliação, como não ser totalmente careca e estar com o cabelo remanescente com, no mínimo, 4 centímetros de comprimento. O procedimento também pode ser feito em fios lisos, desde que tenha um tamanho de 7 centímetros de cabelo para manter a prótese bem fixada.

Cada aplicação leva em média quatro horas, custa de 2.000 a 4.000 reais e exige manutenções mensais. Os interessados podem entrar em contato no perfil do Instagram @africarioca_conceito.

“Ir a São Paulo na primeira vez nos fez perceber a grandiosidade dos ‘Baldlocs’ como ferramenta de transformação da autoestima. Nosso objetivo principal é contribuir para proporcionar a mesma condição para quem sofre com calvície em outros estados, e que não tem acesso a uma técnica sem utilização de substâncias danosas à saúde”, analisa Lucas.

O paulista Luciano Pires, de 48 anos, morador de Tatuapé, conheceu o procedimento através das redes sociais e foi atendido na primeira ida da Africarioca a São Paulo, em abril. Segundo ele, hoje sua autoestima está revigorada. “Eu estava deixando o cabelo crescer desde a pandemia e aproveitei para fazer os ‘Baldlocs’. Agora eu nem consigo lembrar ao me olhar no espelho como eu era careca. As pessoas dizem que combinou tanto comigo que parece que sempre fui assim”, compartilha Pires. 

Para disfarçar os sinais iminentes da calvície e tentar manter a autoestima elevada, muitos homens preferem ficar completamente carecas. Brunno Santos, de 36 anos, relata que raspava a cabeça diariamente desde os 18 anos de idade por não gostar da pouca quantidade de cabelo nas laterais. A ida da Africarioca a São Paulo, além de ter lhe dado a esperança de voltar a ter cabelo, o ajudou a economizar com passagens para o Rio de Janeiro. 

“Virei a sensação aqui onde moro. Com os ‘Baldlocs’ os elogios aumentaram demais e agora eu sou extremamente mais feliz com a minha imagem. Como tudo está caro, gastaria muito com passagem e estadia no Rio para fazer o procedimento. Mas, mesmo se o Lucas não tivesse vindo a São Paulo, eu teria dado um jeito de ir para o Rio, para o Acre ou qualquer outro estado porque o trabalho da Africarioca é impecável”, declarou Brunno, que vive no Jabaquara.

Foto: divulgação

Além de gerar a possibilidade de mais brasileiros com calvície terem acesso à técnica, o intercâmbio em São Paulo vai servir como forma de compartilhamento de conhecimento para dreadmakers do Estúdio Dreads SP, que vão ser certificados para realizar a manutenção dos clientes atendidos pela Africarioca. A certificação terá treinamento prático e uma mentoria de marketing de até seis meses para que os profissionais consigam divulgar seus trabalhos e precificar o serviço com base no público-alvo.

“Esse intercâmbio é fundamental para a propagação da técnica dos Baldlocs, mas principalmente pelo fato da exclusividade da técnica, que coloca os profissionais dreadmakers em outro nível no mercado, que cada vez mais pede profissionais especializados em técnicas inovadoras para atender o maior número de pessoas, que possuem características únicas e plurais, além de movimentar a economia local e o setor de beleza”, finaliza Lucas Preto.

O criador dos Baldlocs, Lucas Preto, por @caiaocesar

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Ipiranga Feelings

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