Moradores do ipiranga integram Bancada Sustentável nas eleições

Sabia que moradores do Ipiranga integram a primeira candidatura coletiva, participativa e sustentável à câmara dos Vereadores de São Paulo? A Bancada Sustentável quer estrear nas eleições de 2020 com o objetivo de atuar em prol do meio ambiente, dos direitos humanos, da cultura e da diversidade.

Por meio de mandato coletivo, o grupo de pré-candidatos a vereadores pelo Partido Verde é composto por pessoas vindas de diversas partes de São Paulo, mas se unem em ideais e espírito comunitário. “A ideia é estar mais próximo da população e dar voz às pessoas que não se sentem representadas pelos atuais vereadores”, descreve o site da bancada.

Outro ponto importante é a formação e educação em relação à importância da alimentação saudável e consumo consciente, especialmente entre as crianças e jovens.

Entre os cinco principais integrantes do coletivo está o biólogo, professor, ciclista e ativista ambiental Casé Oliveira, mineiro que reside no Ipiranga desde a década de 70. Caso seja eleito, ele será responsável por levar as pautas do grupo ao plenário e sessões de voto.

Atuante nas políticas públicas há cerca de 20 anos, foi Conselheiro Gestor do Parque Independência, Conselheiro do CADES – Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Ipiranga por três gestões consecutivas e conselheiro no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga.

Além disso, ele criou no bairro a ONG Missão Ambiental, que visa recuperar áreas verdes degradadas ou subutilizadas.

Sentimos muitas dificuldades e entraves por parte do poder público com nossas demandas. Acredito que indo para o legislativo poderemos contribuir mais pela nossa sociedade

— afirma Casé ao IpirangaFeelings
Foto: divulgação

Indicando que inicialmente irá fazer um levantamento das demandas dos cidadãos, Casé cita exemplos do que está nos planos da Bancada Sustentável: busca por mais segurança biológica nas Unidades Básicas de Saúde, mais verbas para o Secretaria do Meio Ambiente e Educação, atuação em causas que apoiem pessoas em situação de rua e migrantes.

Quando questionado sobre o que almeja para os próximos quatro anos, ele afirma: “que as universidades estejam dentro do legislativo, e uma cidade mais verde, com mais árvores e flores, uma melhor qualidade de vida com investimentos em saúde e mobilidade.”

Casé durante plantio da Missão Ambiental – Foto: divulgação

Integrante da bancada, o empreendedor de agricultura urbana César Moreira, da Urban Farm Ipiranga, afirma ao Ipiranga Feelings que optou por fazer parte do projeto pois é uma maneira de ter múltiplas visões e opiniões,

Como colaborador das decisões a serem tomadas, ele explica qual será seu papel dentro do cargo. “Pela minha experiência, pretendo viabilizar soluções para os agricultores urbanos, em temas como logística e escoamento de produção, aconselhamento técnico e regularização de áreas junto aos órgãos competentes. Temos que facilitar o acesso a uma alimentação mais justa e com mais qualidade”.

Como fazer parte da política não é nenhum conto de fadas, perguntamos qual seria a motivação do empreendedor para atuar como co-vereador. “São Paulo é um desafio para qualquer gestor, mas é o momento de uma grande mudança. Queremos apoiar e propor a implementação de políticas sustentáveis, pensar uma cidade mais humana e colaborativa, valorizar o bem público, incentivar mobilidade ativa e o transporte de massas em detrimento do automóvel particular”.

Entre os sonhos de César para o futuro estão o comprometimento com a Agenda 2030, a democratização da educação e da saúde, a expansão das oportunidades de emprego, cultura e lazer. “É atribuição do município cuidar do patrimônio da cidade e o maior patrimônio das cidades são os seus moradores. Isso vale para São Paulo como um todo e para o Ipiranga em particular”.

Foto: acervo pessoal

Além de Casé e César na linha de frente, fazem parte da Bancada Sustentável os pré-candidatos o arte-educador Tio Pac (do Grupo Ecológico e Cultural Tio Pac, da  Cidade Tiradentes), a advogada e defensora dos direitos humanos Elissa Fortunato e Mércia Gomes, especialista em direito de trânsito.

Como funciona a candidatura coletiva

As candidaturas coletivas começaram em meados de 1995, mas ganharam fôlego nos últimas duas eleições, com recorde de votação na Bancada Ativista em 2018 em São Paulo, que se elegeu para a Assembleia Legislativa com quase 150.000 votos. Segundo uma matéria no UOL, atualmente há pelo menos 20 mandatos coletivos em atuação no país.

Como propõe a nomenclatura, é a união de um grupo que irá atuar em conjunto em determinado cargo, mesmo que legalmente apenas uma pessoa seja escolhida como porta-voz e atuante no cotidiano da Câmara dos Vereadores.

Tais candidaturas unem pessoas sob um mesmo propósito, favorecendo interesses coletivos que ganham mais força do que uma candidatura individual. É apontada por especialistas como uma boa saída para quem não está inserido ainda dentro da política e para garantir um nível maior de representatividade.

Apesar de esbarrar em limitações jurídicas, a prática não é corrupta, sendo um meio de atuação aceitável dentro das campanhas políticas. As bancadas criam suas próprias regras, código de ética e compromissos a serem assumidos por todos que decidem encarar o desafio.

Nessa modalidade tudo deve ser decidido de forma coletiva, mesmo que nos bastidores. Em termos de salário, estima-se que um vereador na capital paulista ganhe cerca de R$ 19 mil por mês. Cabe à cada mandato coletivo decidir como o dinheiro será administrado, utilizado ou repartido, inclusive para pagar as despesas do gabinete.

Na Bancada Sustentável, uma das premissas é que os co-vereadores estão proibidos de trabalhar em qualquer outro cargo na prefeitura. Quem for acusado (a) de algum crime, poderá passar por afastamento e expulsão.

Também foram criadas cinco maneiras de garantir maior pluralidade nos debates e na atuação cidadã. Além de contar com cinco representantes principais, o grupo terá:

  • Embaixadores sustentáveis: líderes comunitários e formadores de opinião que fazem a diferença em suas regiões;
  • Amigos da Sustentabilidade: pessoas em geral que querem ter voz, mas que, sem o desejo de ingressar na carreira política, atuarão de forma indireta dentro da bancada;
  • Conselheiros da Bancada Sustentável: seleção de pessoas com conhecimento relevante na área da sustentabilidade e demais campos de atuação da bancada, que podem contribuir com as pautas cotidianas;
  • Comitês de trabalho: comitês focados na segmentação de assuntos para elevar a qualidade e pluralidade das propostas; Ex: comitê feminino, comitê da juventude, comitê da mobilidade;
  • Ouvidoria do cidadão: canal on-line de participação popular, no qual qualquer pessoa pode enviar reclamações, sugestões, propostas e necessidades quanto aos serviços públicos.
Foto: divulgação

Vá além: entenda abaixo o que é o desenvolvimento sustentável

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