Você já visitou o Museu Botânico do Ipiranga?

A cidade de São Paulo tem aproximadamente 25 milhões de m² de área verde. Parte dela está ao redor do Museu Botânico do Ipiranga, que fica junto à nascente do riacho que corre ao redor do Monumento à Independência. Será que você sabe que lugar é esse?

A instituição cultural, na verdade, se chama Museu Botânico Dr. João Barbosa Rodrigues e fica dentro do Jardim Botânico de São Paulo, localizado no distrito do Cursino, que administrado pela Subprefeitura do Ipiranga.

Ambos equipamentos se abrigam dentro do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, que é atualmente o maior fragmento de Mata Atlântica na área urbana da região metropolitana de São Paulo.

É exatamente ali que nasce o riacho do Ipiranga, o mesmo que chega até os arredores do Museu do Ipiranga, e pode ser acessado por uma trilha na natureza. A área de preservação ambiental poderia ser classificada como o verdadeiro “pulmão” da capital.

No registro de 1997 se vê o plano de conexão entre museu, lago e estufas – Foto: Joceli Adair da Silva

O botânico mineiro Frederico Carlos Hoehne, fundador do Jardim Botânico, era um entusiasta da educação, achando necessário o envolvimento da sociedade na natureza para que pudesse, a partir de sua compreensão, defendê-la como patrimônio. Atuando como diretor do instituto de botânica, idealizou o museu 10 anos antes de se aposentar do cargo

Hoehne Publicou cerca de 117 trabalhos científicos, 478 artigos em jornais e revistas, e editou 4 livros infantis.

 

No ano de 1942, o museu botânico foi inaugurado, celebrando o centenário do naturalista, engenheiro e botânico Dr. João Barbosa Rodrigues, que entre os séculos 19 e 20 realizou expedições importantes no Amazonas e dirigiu o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Por suas importantes descobertas científicas, que são referência até hoje, foi homenageado e eternizado por Hoehne em São Paulo, dando nome ao local.

 

Uma simpática construção térrea, próxima às famosas estufas do Jardim Botânico, abriga o museu. A fachada, tomada por trepadeiras, é adornada por oito placas de terracota com representações da flora nativa.

Foto por: Ipiranga Feelings – reprodução proibida

 

Na parte interna, o público é surpreendido por um vitral, de autoria desconhecida, mas que provavelmente foi produzido pela Casa Conrado, a mesma que fez os do Museu de Zoologia da USP. Acredita-se que as ilustrações foram elaboradas por ilustradores botânicos que trabalhavam com Hoehne.

Nos desenhos se destacam as orquídeas*, que são de grande importância para o jardim e seu fundador, além de samambaias, algas, fungos e plantas medicinais. É um trabalho realmente muito bonito, que poderia ser observado por horas.

Foto: acervo do Instituto de Botânica
Foto: acervo do Instituto de Botânica

 

O que tem no museu botânico?

Os cinco ambientes se dividem por 150 m². A principal sala tem paredes que funcionam como vitrines, acomodando um conjunto de aproximadamente 1.300 exsicatas – plantas secas e herborizadas, que revelam o ecossistema paulistano, do qual fazem parte não apenas da Mata Atlântica, mas também a mata ciliar, o cerrado, o manguezal e a vegetação litorânea.

Além disso, há outros itens vegetais para serem descobertos pelo público, como frutos, sementes, fungos, madeiras nobres e raras, fibras, óleos e essências vegetais. Fotografias e 10 quadros de Rodolfo Walter, que retratam espécies vegetais do país, revelam ainda mais coisas do universo da fitologia.

O objetivo é expor os itens do acervo para educar e incentivar os visitantes em relação ao universo particular da flora brasileira.

Foto: acervo do Instituto de Botânica

Foto: acervo do Instituto de Botânica

Foto: acervo do Instituto de Botânica

Uma exposição permanente se dedica à contar a história do Instituto do Jardim Botânico e da Botânica no Brasil, além de propagar as pesquisas desenvolvidas na área. A biblioteca, uma das mais completas da área, reúne livros que abordam taxonomia vegetal e meio ambiente, contextualizações históricas, grandes expedições científicas; documentos e teses. Títulos raros e antigos também podem ser consultados.

Vale a pena checar a obra Iconografia de Orchidaceas do Brasil, de Frederico Carlos Hoehne, lançada em 1949 e re-lançada em 2010, que foi um marco na divulgação da orquidofilia no Brasil. As edições se esgotaram rapidamente.

São 640 páginas que detalham orquídeas, dando dicas e instruções de como plantá-las, cultivá-las em estufas e identificá-las, entre outras valiosas informações. As ilustrações são um deleite para qualquer bom observador.

Foto: reprodução
Dr. Fernando Costa (a esquerda) Dr. Frederico Carlos Hoehne (a direita) e o primeiro lote da orquídea Laelia purpurata que iniciou a coleção de orquídeas do Estado na década de 20. Foto: acervo do Instituto de Botânica

 

museu em reforma

No início da década de 90, o Museu Botânico passou por uma reforma e passou a desenvolver exposições mais interativas, que dialogassem melhor com o jardim botânico.

Eis que, em 19/03/2018, o museu botânico foi fechado para reforma e ainda não retornou às atividades. Em fevereiro de 2020, o instituto de Botânica deu um comunicado de como está o andamento das obras:

Durante esse período foram realizadas diversas ações, como o restauro do piso em madeira no interior do prédio, pintura de toda a fachada externa, tratamento das infiltrações, acessibilidade, entre outros. Próxima etapa: montagem de uma nova exposição com elementos interativos, mas preservando o mobiliário original que possui mais de 100 anos.

Esperamos que reabra assim que o surto de coronavírus der uma trégua. Dito tudo isso, podemos dizer que sim, temos um Museu Botânico no Ipiranga. Que sorte, né?

Foto por: Ipiranga Feelings – reprodução proibida

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