Jovem autista clica belas fotografias do Museu do Ipiranga

Indo muito além da técnica e das habilidades, a arte tem funções terapêuticas, reconhecidas em estudos, livros e relatos. Foi clicando fotografias do Museu do Ipiranga que o jovem autista Gustavo Cheloti, de 26 anos, encontrou seu lugar no mundo.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) resultou num autismo leve, mas não impede que Gustavo leve uma vida normal. Extrovertido e comunicativo, ele finalizou o ensino médio numa escola especializada e frequenta o Conviver, associação para integração ao jovem especial, localizada no bairro Ipiranga.

Além disso, domina muito bem as tecnologias, como o computador e o celular, aparelho que é seu companheiro de aventuras na hora de sair para fotografar.

Foto: Gustavo Cheloti/cedida ao Ipiranga Feelings

 

E, veja bem, tirar fotos com aparelhos móveis é também uma forma de arte, reconhecida como mobgrafia, abreviação de fotografia mobile, que tem o caráter documental de poder contar histórias através de imagens no exato momento em que elas acontecem.

O conceito de criar e multiplicar imagens segue sendo a base de tudo, mas a tecnologia dá uma boa forcinha em termos de compartilhamento, fortalecendo esse movimento cheio de adeptos ao redor do mundo.

Foto: Gustavo Cheloti/cedida ao Ipiranga Feelings

 

A família resolveu investir em aulas particulares para Gustavo, que vem sendo realizadas com o professor Rodrigo Pessi. “Ele tem um talento, é muito inteligente e esperto…tudo o que ensino, aprende rápido. Além disso, tem boas ideias”, conta ao Ipiranga Feelings.

As aulas são feitas no próprio Museu do Ipiranga, de forma mais leve e interativa. “Não seguimos regras. Tem sido muito divertido e gratificante. É um privilégio dar aula pra ele!“. Pessi destaca que Gustavo tem uma visão bastante criativa e vai dando coordenadas do que imaginou para o professor ajudar a programar a câmera fotográfica.

Ele adora fotografar, faz isso há muitos anos, seja com câmeras fotográficas simples ou o celular. Mas nos últimos tempos o gosto tem se intensificado. Gustavo tem uma paixão por retratar as flores, principalmente”, conta a mãe e grande incentivadora, Rosângela Fuzzo, que continua:

“Conseguir fotografar o que o encanta com certeza eleva a autoestima, acalma a mente dele. Traz muitos benefícios”.

Foto: Gustavo Cheloti/cedida ao Ipiranga Feelings

 

autoconhecimento por veias artísticas

A arte, seja plástica, música, dança, escrita ou fotografia, contribui em diversos aspectos da vida. Transcendendo a matéria e acessando nosso íntimo, a arte é basicamente um estado de espírito. Ela auxilia o desenvolvimento dos sentidos, a expressão de emoções, a sensação de bem estar, o pertencimento e alívio de tensões.

São as atividades artísticas que não apenas nos inspiram, mas criam meios de autoconhecimento e autoconfiança. O ator Jim Carrey, num pequeno documentário, falou sobre como a arte o salva da depressão. No vídeo, ele conta:

“eu não sei o que a pintura me ensina, mas sei que me liberta. Me liberta do futuro, me liberta do passado, me liberta do arrependimento, me liberta da preocupação

O escritor e filósofo suíço Alain de Botton, autor do livro “Arte como Terapia”,  argumenta que a arte tem esquecido uma função fundamental: fazer com que nos sintamos em casa nos locais mais inóspitos, reumanizar o inumano. Em outro vídeo, ele afirma que “em geral gosto de obras de arte que façam eu me sentir menos solitário, e mais ligado ao mundo exterior de alguma forma.

É interessante notar a forma como pessoas neurodiversas captam as informações ao seu redor. Na fotografia, praticamente conseguem estampar a sua visão de mundo, o seu olhar para as coisas cotidianas. É como se desenvolvesse um exercício de percepção.

Nas fotos de Gustavo, predomina exatamente o que a mãe dele pontuou: a presença de elementos orgânicos. Talvez dessa maneira, ele se sinta mais próximo das pequenas belezas naturais que nos rodeiam na aridez da  selva de pedra.

Percebemos também que os ângulos sempre colocam a natureza como perspectiva. É através dela que se vê o que existe atrás, além do plano focal. Mesmo que a câmera não tenha focado exatamente em seus elementos, como flores ou arbustos, são tais detalhes que chamam a atenção de quem olha para as imagens.

As cores e formas da natureza estão sempre se manifestando no mundo do Gustavo. E, assim, como tudo o que flui de maneira harmônica através dela, nasce naturalmente um fotógrafo.

Foto: Gustavo Cheloti/cedida ao Ipiranga Feelings

confira abaixo mais fotografias do museu do ipiranga feitas por gustavo:

 

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